MANUEL DIAS JÚNIOR
Nascido no dia 13 de Outubro de 1909, na Freguesia dos Mosteiros, Ilha de São Miguel, faleceu, com a idade de 85 anos, em Ponta Delgada no dia 16 de Abril de 1999. Tendo passado pelo Liceu de Ponta Delgada, definiu não querer prosseguir os estudos de arquitectura que, na altura, pensou experimentar e neles progredir. Desde cedo, foi exemplo característico do homem insular que encarnou, na sua vida e na sua obra, o modelo açoriano de dimensão, natural e espontaneamente, regional. Ao longo da sua vida, superou os limites da Ilha em que nasceu ou viveu. Na sua magnificente obra, projectou-se para além dos limites cronológicos e temporais da sua própria existência. Nado numa família com tradições na actividade empresarial e cultural e com ligações de parentesco em várias ilhas dos Açores, viveu, grande parte da sua vida na Ilha Terceira aonde casou, tendo regressado, nos seus últimos anos à sua terra natal. Para além de uma actividade variada e profícua, dividiu a sua participação activa, na vida da sociedade açoriana, entre o jornalismo (tendo sido detentor da carteira profissional mais antiga dos Açores) e a criação artística. Na qualidade de publicista, aliás, eminente redactor, exerceu em Angra do Heroísmo funções de director de um periódico – O Directo – que, embora por entre várias vicissitudes, contribuiu para caracterizar uma determinada época do jornalismo escrito regional, tendo espalhado a sua colaboração deveras pertinente por todos os jornais diários da Região, versando, com sentido de oportunidade e abundante profundeza, os mais diversos assuntos de interesse regional, nomeadamente nas áreas das pescas e dos transportes; relativamente, quem não se lembrará ainda das célebres “Crónicas Sem Título”, difundidas, também, através do emissor do Rádio Clube de Angra. Como artista plástico, legou à posteridade o trabalho valiosíssimo de mais de 1000 peças em “cedro-do-mato” que, embora distribuídas em pouca quantidade, adornam as paredes de instalações públicas e de algumas residências particulares, quer em Portugal como Além-fronteiras. Ainda nessa particularidade, expôs em vida, e em Angra, por quatro vezes – 1969, 1973, 1975 e 1989; na Horta em 1973; e em Ponta Delgada em 1974. Aquando da realização da Cimeira dos Açores, realizada em Angra do Heroísmo, com a presença de Nixon, Pompidou e Marcelo Caetano, Manuel Dias Júnior presenteou a cada Presidente um painel expressamente elaborado para o efeito, o que lhe valeu agradecimentos pessoais e reconhecimento internacional. Sendo que, o quadro entregue ao Presidente Nixon, se encontra no Museu da “Casa Branca”, em Washington. De igual modo, ofereceu um painel ao já falecido Cardeal Humberto de Medeiros o qual se encontra patente ao público na Biblioteca do Patriarcado de Boston. Analogamente, ofertou também o belo painel “Alegoria” ao Papa João Paulo II aquando da sua visita aos Açores e a pedido da Diocese de Angra. Por ocasião da crise sísmica do Pico e do Faial de 1973, Manuel Dias Júnior enviou ao então Governador Civil da Horta um painel, para que o produto revertesse a favor dos sinistrados; tendo sido este quadro, sorteado por um preço elevadamente significante a nível nacional. Ainda em matéria das suas mostras artísticas, para além de ter tido a oportunidade de expor as suas criações em Boston, Nova Iorque e Toronto, em 1991 a D.R.A.C. fez uma Exposição com diversas obras escolhidas deste Autor na Academia das Artes de Ponta Delgada. Relativamente, durante o ano de 1993 a Casa da Cultura de Ponta Delgada levou a efeito seis Exposições sucessivas, na Ilha de São Miguel, com Obras diferentes do Artista, em cada um dos Concelhos Micaelenses. Ainda em vida, a Edilidade Angrense consagrou-o Cidadão Honorário de Angra do Heroísmo. Em subsequência, e a título póstumo, aquando da realização de uma Exposição Retrospectiva e Pública no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, consumada entre os dias 13 e 19 de Junho de 2005, no âmbito de uma Homenagem Solene instituída pela sua viúva, Exma. Senhora D. Lili Gago da Câmara Amaral Dias, o Conselho de Vereação da Câmara Municipal de Angra através do Digníssimo Presidente do Município, Exmo. Senhor José Pedro Parreira Cardoso, por unanimidade outorgou ao Artista Manuel Dias Júnior a Medalha de Ouro e Mérito da “Mui Nobre e Leal Cidade” de Angra do Heroísmo. |