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CV Manuel Dias Júnior
APRESENTAÇÃO
Parafraseando o artista – “Depois de faceado, o painel aguarda o bafo de pensar, de descobrir, de aperfeiçoar, de alterar; para de seguida, repetir-se o trajecto de pensar e perfurar em nova tentativa de abrir a forma, de tornar visível o que se poderá materializar na concepção estética imaginada. Longe do barroquismo que fez escola, e dentro de uma percepção individual de não repetir o que já está feito, adiantámo-nos no desenho simbólico da beleza e da fortuna, explanado no endemismo da madeira.
O acto de criar reside no segredo de perscrutar o desconhecido, de vencer a angústia de não encontrar a porta dourada do impossível, e torná-lo possível.
Quando se julga atingir a luz anímica que ilumina o coração, por vezes ela chega, envolta no ramo da dúvida, vizinha do imperfeito. Luta travada com perseverança e amor, na entrega pessoal, apoiada na esperança de chegar...
O quadro aguarda sempre o risco do incerto, figurado nos traços experimentais apostos na face despida. Até ao fim, sempre fica alguma coisa de ver – a mensagem...”
(excerto da introdução do Livro “O Cedro do Mato no Povoamento dos Açores”, editado em 1998, com o apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e a colaboração da “Casa da Cultura de Ponta Delgada”
A obra realmente díspar de Manuel Dia Júnior na qual o material utilizado é o Cedro-do-Mato (Juniperus Brevifolia), que, como o próprio artista indicou, seria uma das primeiras vegetações que povoaram maciçamente as nossas Ilhas, portanto já existente na época dos seus descobridores, obrigatoriamente classifica-a, não só pela proveniência do endemismo que aqui vegetava, por agora praticamente extinto, é produto de mais de quarenta anos de trabalho, tendo sido uma grande parte desta sua faina desenvolvida e ampliada na Ilha Terceira, que tanto bem como, proveitosa e artisticamente, o recebeu e acarinhou, congrega, num vasto legado executado com o material referido, centenas de painéis, variadas arcas de diversos tamanhos, multíplices licoreiras, dezenas de cabeçalhos de leitos e algumas esculturas que consuma o vastíssimo concebimento estético de um artista de profundos bem como amplos recursos criativos.
Como seria de esperar, não podia ter escapado ao autor o estudo abundante sobre a simbologia dos motivos que na sua obra constantemente figuram, relacionados com a História Insulana, a Geografia Insular, e a própria Etnografia, compondo e envolvendo-a com os “usos e costumes” peculiares a cada Ilha do Arquipélago Açoriano que, Manuel Dias Júnior tentou, por vezes, associar com componentes próprios doutras numa mesma unidade, caracterizando, neste particular modo, a algumas das suas abundantes realizações um carácter verdadeiramente açórico e “não apenas insular”; isso, segundo, a opinião expressada pelo saudoso e ilustre Prof. Dr. J. Almeida Pavão.
Sem dúvida alguma, é permissível, agora passados já oito anos do seu passamento terrestre expressar o seguinte: a obra artística de Manuel Dias Júnior preenche uma lacuna de cuja presença talvez ainda uma boa porção dos açorianos se não tenha apercebido. Mas hiato, por certo. E lotado pela pessoa que foi efectivamente genuína, a quem todos os Terceirenses, e Açorianos em geral, dever-lhe-ão a perpetuidade do seu reconhecimento e agradecimento.
C.A.
OBRAS EM EXPOSIÇÃO





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